D E S E N T E N D I M E N T O
A mulher brigou comigo;
Eu também briguei com ela.
Vou ter que varrer a casa,
Vou ter que lavar panela.

Mas viver assim,não dá,
A vida tá um horror,
Me mandou pentear macaco
Lá na rua do Ouvidor.

A roupa já tá no saco; O saco no corredor;
Escova,pasta dental;
Produto de toucador.

Minha mala não tem alça,Perdeu a tampa e o fundo.
A vida ficou difícil
Para sair por esta mundo

Eu já estou de saco cheio; Tem lençol,tem cobertor.
Só me falta despedir
De quem foi meu grande amor.

Um beijo só na bochecha, É só prá marcar o fim,
Se ela me beijar na boca,
Não vai separar de mim.

Eu vou ter que me virar,Pois agora fiquei só;
A minha mala é um saco
E o cadeado é um nó.

Lá na rua,sem dinheiro;Precisando viajar.
Mas eu não sou o primeiro,
Alguém vai me ajudar.

Pobreza não é desdouro,
Esta é a grande verdade,
Por que tanta gente nobre
Não compra felicidade?

O dinheiro é coisa boa,
Não se leva pro além,
E o pobre é como boi,
Não sabe a força que tem.

Rico vive sem o pobre?
Quem vai lavar sua roupa?
Dondoca,uma moça nobre?
Se não tem uma cachopa...

Tem que ter uma empregada,
Queira ou não,prá trabalhar;
Vai em frente,meu irmão,
Que nada vai lhe faltar!
